Bater não é forma de educar!

Estou no meu quarto tranquila, brincando com meu Ben quando ouço uma mulher gritando e dando várias palmadas numa criança dentro de um carro. Ela não parava de sentar a mão num bebê, de um pouco mais de um ano, quando eu gritei chamando sua atenção, mandando ela parar. A mulher permaneceu um instante no carro sem se mover. Fora do carro uma senhora que acompanhava a mulher me explicava “ele jogou seu sapatinho pela janela, pode ficar calma que a mãe sempre faz isso”. Mas isso não era motivo pra mulher bater no menino! Fiquei quieta só olhando. A mulher saiu do carro e começou a procurar o sapato pelo chão. Para minha surpresa a mulher estava grávida. Incomodada com a minha observação ela indagou porque eu estava olhando e falou que eu podia entrar (estava na sacada do meu quarto) e ficar tranquila. Eu disse que não entraria e que ficaria ali e que se ela batesse no menino novamente, eu iria até lá. Começou uma discussão entre nós duas. Ela disse que havia dado só umas palmadas e “estou educando meu filho”. Essa frase ecoou na minha cabeça. Uma mulher pronta para colocar mais um filho no mundo e dar aquela educação! Com a confusão, os vizinhos foram saindo na rua e a mulher ficou toda constrangida. No fundo quero acreditar que ela sabia que estava errada.

Talvez eu estivesse errada também. Depois do episódio fiquei me punindo: não devia ter me metido! Mas foi ação e reação, sabe?! Um bebê indefeso, chorando ao levar várias palmadas e tendo que ouvir os gritos da mãe grávida estérica. Ela estava completamente fora de si. Eu no meu quarto, curtindo as gargalhadas do meu filho, ao presenciar aquela cena não me contive. Há quem diga “quando o seu crescer você vai ver que só conversar não adianta”. Mas vem cá, palmadas adianta???

Eu sou a favor da educação baseada no amor, paciência, bons exemplos… Isso, BONS EXEMPLOS!!! Tem jeito melhor que educar um filho dando bons exemplos?! Detalhe, a mulher pediu para eu tratá-la com respeito, que “as pessoas devem ser tratadas com carinho e respeito”. Ela me disse isso e agora não estou acreditando…Primeiro que não faltei com respeito. E ela não estava usando dessas boas maneiras com seu filho. Se você trata seu filho, a pessoa que você gerou, colocou no mundo, de maneira rude, quem dirá as pessoas em sua volta. Boas atitudes nas relações seja com as pessoas queridas ou no trânsito ou numa fila de banco, são ótimos exemplos que você pode dar aos filhos. Isso é educação!

Se ele jogou o sapato pela janela, quem perdeu foi ele. Eu falaria para o Benjamin “agora você vai ficar sem esse sapato e a mamãe terá que escolher um outro par seu para doação”. Ele aprenderia a dar mais valor aos seus pertences, além de aprender solidariedade também. É claro que isso é uma ilustração, mas quero dizer, que eu faria ele ficar sem algo por determinado tempo. Essa maneira ainda não deve ser ideal, mas acho que tem N maneiras de se educar uma criança.

Acredito que os pais podem deixar a criança sozinha por alguns instantes, e de preferência imóvel, pensando no seu mau comportamento. Pequenos acordos, o que não deve ser uma regra, pois a criança acaba querendo fazer as coisas só em troca de algo. E acredito SIM em diálogo! É na conversa que a criança precisa entender o que é certo e errado.

A criança ao apanhar não deve nem atinar o porquê de estar apanhando. Ou seja, ela não relaciona que está apanhando pelo mau comportamento. Não é através de tapas que os pais vão impor limites aos filhos. Além disso, o adulto é quem deve ter domínio da situação e bater, berrar são sinais claros da falta de controle. O que as crianças mais fazem é testar a paciência dos pais. É difícil, eu tenho noção disso, mas é preciso ter paciência e lidar com carinho nas situações adversas. É mais fácil aprender através do diálogo do que na violência. O primeiro faz com que a criança compreenda melhor. O segundo gera uma compreensão negativa, a criança vai achar que através da violência se consegue o que quiser: apanho porque o agressor quer que eu faça da maneira dele.

Enfim, eu fiquei meio revoltada com a cena e vim correndo colocar pra fora no blog minha indignação. Escreveria muito mais, só que o texto já está grande e acho que já deu para espanar as ideias. A lei da palmada é clara: a criança e o adolescente têm direito a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos, no lar, na escola, em instituição de atendimento público, ou privado ou em locais públicos, sob alegação de quaisquer propósito.

Bater não é forma de educar!

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9 Comentários

  1. Concordo muito, Gabi!!! Pouca gente tem essa noção, AINDA….

    Responder
  2. Oi, Gabi. Eu concordo com você na forma de educar nossos filhos. Acredito no diálogo e, mais do que isso, no exemplo. Se tratamos as pessoas de forma dócil e educada, é muito provável que nossos filhos se espelharão neste comportamento (como seria se fosse o contrário).

    Mas não acho que você agiu corretamente. Cada um tem uma forma de educar e eu acredito que o correto seria intervir somente no caso dela estar realmente machucando a criança e não dando palmadas e gritando como você mencionou.

    Sei que hoje é lei não dar palmadas. E talvez isso faça com que você tenha o direito (legal) de se envolver na situação.

    Mas ainda assim, eu não faria isso. Não acho correto. Acho que não devemos julgar o comportamento e a forma de educar das outras mães. É uma coisa que sempre defendo nos posts que escrevo.

    Minha mãe me dava palmadas quando eu era criança e nunca tive traumas ou problemas por isso. Pelo contrário, admiro muito, assim como todos os amigos e familiares nossos, a forma como minha mãe educou a mim e meu irmão. Por isso acho que não tem fórmula, entende.. O que dá certo numa casa pode não dar certo na outra. E a gente nunca sabe quando terá – ou se terá – que apelar para uma palmada.

    😉

    Um beijo!!!
    Julia

    Responder
    • Oi Julia!!!
      Então, como disse no post, depois fiquei questionando se fiz a coisa certa em meter o bedelho…ela estava dando palmadas aparentemente fortes e num bebê um pouco mais velho que meu filho. Sinceramente não sei se fiz a coisa certa ou não, mas se tivesse me calado diante da situação, talvez não ficaria com minha consciência tranquila. Fiz, naquele momento, o que eu achei que deveria ter feito. Acredito até que essa mãe não repetirá o mesmo ato, até porque quando uma mãe bate em seu filho, em seguida vem o arrependimento (eu não estou falando com propriedade, pois nunca bati no Benjamin e nem vou, mas se o fizesse ficaria arrependida).

      Apesar de nunca ter levado umas palmadas, eu acho que na época dos nossos pais as coisas eram bem diferentes. Eles não tinham o leque de informações que temos atualmente. Hoje podemos fazer as coisas de forma diferente. Eu, por exemplo, leio bastante sobre educação infantil. No caso de violência infantil, seja ela física ou emocional, faz parte do nosso controle. Ou seja, se estamos irritados com o mau comportamento do nosso filho, nós temos que ter o discernimento para administrar a situação. Não podemos esquecer que quem deve ter maturidade é o adulto – os pais, não as crianças e muito menos um bebê.

      Gostei e fiquei feliz com seu comentário. Essa casa aqui é um cantinho democrático. E acho legal nos abrirmos para debater assuntos tão pertinentes na vida materna.

      Um super beijo,

      Gabi

      Responder
  3. Gente,
    Sou mãe de dois, amiga da Gabi e ela sabe o quanto insisto para tratarmos esse assunto, de que qualquer tipo de violência não é educação e sim desrespeito. Meu filho mais velho tem apenas 3 anos de idade, passou pela fase da birra (1 a 2 anos na maioria) e confesso que por três vezes bati na mãe dele, irritada com o fato dele ou ter jogado algo no chão no momento da raiva, ou ir mexer em algo que não devia e que eu já avisado para não mexer. Contudo, fiquei muito mal com a situação, porque era nítido que havia algo errado no meu comportamento, porque atingia o objetivo de fazê-lo parar, mas não me sentia feliz de jeito nenhum com isso. Foi aí que li o livro do Içami Tiba, Quem ama, educa. E que entendi melhor que o grande problema é a nossa falta de controle da situação, ficamos tão irritados por não conseguirmos atingir o nosso objetivo, que partimos pra agressão. Então, o problema é com os pais, que não estão educando, estão desrespeitando a tarefa mais sagrada recebida, que é a de cuidar, zelar e educar os pequenos. Nunca mais fiz isso e hoje sou totalmente a favor de que haja sim uma lei que preveja punição para qualquer tipo de desrespeito à criança, independente de quem o pratica. Já é assim hoje para qualquer adulto, não posso me desentender com ninguém, e por conta disso partir pra cima da pessoa, se o fizer corro o risco de ir presa. Aliás, corro o risco de receber um processo e sujar minha ficha. Como a criança não tem condições óbvias de fazer isso, acho que devem ser liberadas denuncias de terceiros.
    Isso que vc fez Gabi, de chamar a atenção da mãe e falar pra ela que estava errado, foi o melhor que podia fazer. Porque pelo relato, imagino que esta mulher não seja nenhuma ignorante, deve até mesmo ser uma mãe zelosa, que acha que educar é poder dar uns tapas de vez enquando e aí vem outro adulto, estranho e te diz que tá errado???, ela vai lembrar disso de outras vezes e mesmo quando refletir sobre o assunto, se amar os filhos, vai chegar a conclusão de que estava errada e quem sabe até decidir que nunca mais levantará a mão pros seus pequenos??!!!

    Nós mães, temos de ser as maiores defensoras da lei da palmada, só com a lei as pessoas vão refletir sobre os seus limites…ouvi outro dia de uma grande amiga que ainda não tem filhos que acha que ninguém deveria meter o bedelho e te dizer o que não pode fazer, porque afinal são seus filhos. Respondi na hora: Ah, então vc não acha que pela mesma justificativa vc poderia descer a mão na sua mãe, quando ela já não mais pudesse se defender, porque ela fez xixi na roupa?! Tensão…não é bem assim, alguns responderiam, pois pra mim não há diferença. Não tenho direito de agredir meus filhos pelo fato de ser mãe deles, assim como ninguém o tem. Nós devemos zelar pelo respeito ao ser humano acima de tudo! Com isso, coloco abaixo um pequeno trecho que encontrei hoje quando estava procurando sobre o papel dos pais na educação espiritual dos filhos, que serve para qualquer pessoa, não só as que tem fé…

    “Mais do que nunca ela (mãe) precisa saber conquistá-los (filhos), não por aquilo que lhes dá, mas por aquilo que é para eles: amiga de todas as horas, consoladora. Saiba sempre corrigir o seu filho, mas que nunca seja com grosseria, com gritos ou com humilhações. E jamais o faça na frente dos outros.
    Se você conquistar o seu filho a ponto de ele ter um sagrado orgulho de tê-la como sua mãe, então, você poderá fazer dele o que desejar.”
    Beijos,
    Dani

    Responder
    • Mãããããães, essa é minha amiga mãe-já-de-dois, a famosa Dani que sempre menciono nos meus posts!

      Dani, isso foi quase um post. Adorei! Você sabe que compartilho dos mesmos sentimentos. Aliás, você é a minha maior referência materna (após minha mamis – outra mãe que admiro MUITO), uma mãe com quem aprendo muito sobre diversos assuntos. É muito bom trocar experiências contigo, principalmente agora que tenho a minha cria. Você além de minha coach profissional, virou também minha coach materna! (risos)

      Gostei do trecho ao final do texto.

      O convite ainda está em pé para você escrever no Bossa Mãe também como autora, hein?!

      Super beijo

      Responder
  4. Marcos

     /  28 de março de 2012

    Não concordo, minha cara! Sou pai, e eu e minha mulher achamos que é muito saudável, eventualente, aplicarmos umas palmadinhas em nossos amados rebentos. Palmada não é agressão, nem violência… Mas uma forma de demonstrar aos filhos o príncipio da realidade, ou seja, como o mundo vai retribuir a sua desobediência, insolência, irreverência, mentira, etc. A vida é dura e inclemente. Não podemos educar sem esse aspecto retributivo que se assemelha à realidade. Cassetete de polícia não vem com anestésico e algema e camburão é humilhação maior que um bumbum ardido, de vez em quando, na infância.

    Responder
  5. Desculpa Marcos, mas discordo veementemente de você, apanhar não faz você aprender a respeitar regras, faz você ter medo de castigos enquanto você é o lado fraco da relação. Pode ter certeza que com conversa se consegue muito mais resultado e a imposição de limites ajuda a entender o que você vai encontrar na vida. É exatamente por conta de gente que faz terrorismo assim, que o sistema social é falido. As pessoas devem aprender que tem direitos e deveres e é direito dos pais educar da forma que achar melhor, mas não é direito de nenhum ser humano agredir outro, ainda mais em posição inferior de força física e emocional, isso é covardia, e da brava. Talvez, seja interessante comprar um saco de pancadas e deixar em casa pra descontar a frustação e a falta de paciência com os pequenos, ou mesmo com os problemas que diariamente enfrentamos (todos nós) antes de ir ter com eles qualquer conversa. Quem cria os filhos assim, ajuda a ensinar que se resolve coisas com violência. Vou te dizer, é violência sim!

    Responder
  1. Publipost ou não…. « bossamae
  2. Retrospectiva 2012 Bossa Mãe « bossamae

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