Ainda sobre autoconfiança

Li a matéria da revista Crescer, comentada no post de ontem. Gente, me identifiquei com a matéria tanto no meu papel atual de mãe, quanto no de filha!!! Eu tinha medo do escuro, medo de espírito (e minha mãe sempre dizia que medo tinha que ter dos vivos), medo de me perder da minha mãe (e por isso não soltava da barra de sua saia), medo dela morrer (ficava aos prantos quando ela atrasava 10 minutos do horário que costumava chegar em casa após o trabalho), medo da loira do banheiro, medo de cair e me machucar, medo de uma lagartixa cair na minha boca enquanto eu estivesse dormindo, medo de puxarem meu pé por baixo da cama, medo de barulhos altos como fogos, medo de bexiga estourar na minha mão, medo, medo, medo… Enquanto a minha irmã caçula me consolava e me protegia dos meus medos.

N-O-O-O-O-OS-S-A, dei conta de como eu fui uma criança medrosa!!! Tá explicado tanta terapia! Como posso ter me tornado a pessoa de hoje se sentia tantos medos?! Mãe, diz aí, como você conseguiu contornar isso e me tornar nessa mulher corajosa, porém cagona? Minha mãe é uma mulher porreta, que criou sozinha duas filhas e merece toda a minha admiração. Eita mulher forte essa! Minha irmã caçula, sempre foi uma criança danada de feliz, pulava de um lado pro outro (não é a toa que dos animais do zoológico ela era o macaco) não tinha medo de N-A-D-A!

Coragem, autoconfiança só deve estar no DNA. Não é possível! (a matéria da Crescer explica) Hoje, superados alguns medos (menos o da lagartixa), surgem os medos comuns quando avanço etapas diferentes na vida. É preciso encontrar uma forma de encarar as transformações. Uma coisa é fato, minha mãe é uma pessoa forte e corajosa, e, isso foi passado para nós. Alguns momentos nos exigem força e coragem para topar de frente com os desafios. A maternidade é uma prova disso. Nosso filho vai correr riscos, isso é um fato e não adianta lutarmos contra.

Eu estava me martirizando esses dias porque não fico muito em cima do Benjamin como eu e todos pensei que ficaria. Meu marido dizia que eu transformaria o pequeno Ben em o “bebê da bolha”. Ledo engano! Agora o marido vive a lembrar que o Ben não é meu segundo filho, querendo dizer que eu o trato com menos frescura. Eu acho que cuido muito bem do meu filho, obrigada! mas não fico em cima, super protegendo. Não limpo a baba dele toda hora, não saio correndo para sacudidí-lo quando está sentado e tomba para o lado, muito menos no primeiro resmungo que ele dá ao acordar, não tampo os ouvidos dele para abafar sons de fogos, não o ajudo pegar brinquedos que estão um pouco longe dele, etc… No fim, não sou tão desesperada quanto pensei que seria e o quanto ouvi que as mães normalmente são com o primeiro filho.

Como disse, na matéria da Crescer, o psicólogo australiano Anthony Gunn, “pode parecer contraintuitivo, mas ajudar a criança a desenvolver autoconfiança envolve ficar por perto e observa-la saindo de sua zona de conforto.” Acho que inconscientemente faço isso mesmo. A matéria da Crescer me confortou e tirou um pouco da culpa que estava sentindo essa semana. Está cheia de dicas de como lidar com os medos mais comuns das crianças.

Meu pequeno Ben vai correr riscos, muitas vezes sentir medo e eu e o marido somos peças fundamentais para ajudá-lo enfrentar tudo de frente. Vamos precisar de equilíbrio para encarar os desafios. Ninguém disse que seria fácil. Parafraseando um dos meus poemas preferidos de Guimarães Rosa, coragem que a vida pode mais!

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